DA SUA CARREIRA
Alguns estudantes universitários tendem a concluir a sua formação, com ideias e expectativas de trabalho bem definidas, ou seja, sabem bem o caminho a seguir em termos profissionais. Ao contrário destes, outros estudantes não fazem ideia de qual caminho devem seguir, o que acontece também por falta de uma orientação profissional adequada por parte da instituição ou ainda pela falta de apoio familiar.
A orientação profissional é de suma importância, pois auxilia não só os estudantes de fim de curso, mas também profissionais adultos que não se encontram satisfeitos e pretendem investir em uma outra carreira e deste modo progredir ainda mais a nível profissional.
Lembro-me de quando terminei a faculdade na Universidade Privada de Angola – UPRA, um dos meus grandes objectivos era de trabalhar em uma empresa de Telecomunicações, pelo facto de ter-me licenciado em Engenharia Informática voltada à Gestão, mas não sabia exactamente que área especifica dentro do mundo das Telecomunicações e Tecnologias de Informação iria me alocar, isso também devido a falta de orientação profissional. Foi preciso estar inserida primeiro no mundo corporativo e depois com tempo fui tendo noção daquilo que de facto queria seguir para alavancar a minha carreira.
Estando inseridos no mundo profissional e corporativo é importante que os profissionais em início de carreira ou não, tenham em conta alguns factores que podem impedir a progressão da sua carreira:
NÃO GOSTAR DAQUILO QUE FAZ
O trabalho ocupa grande parte do nosso dia-a-dia, por este motivo, deve ser uma fonte de satisfação. Quando é fonte de insatisfação, coloca-nos em situação de mal-estar e que pode deixar-nos infelizes.
Infelizmente e devido a escassez de oportunidades de trabalho no meio social em que nos encontramos, muitos profissionais são obrigados a trabalharem em funções extremamente opostas daquelas em que se formaram. O que faz com que estes trabalhem apenas para receberem a remuneração no final do mês, mas sem nenhuma perspectiva de evolução em termos de aprendizado.
Se você não gosta do que faz, faça uma reflexão daquilo que não gosta especificamente, e tente descobrir aquilo que gosta na verdade, porque também acontece de muitos profissionais não saberem o que querem. Pesquise por outras funções de trabalho dentro da empresa, fique atento aos recrutamentos internos, candidate-se aos que lhe interessa, pois mesmo que não saiba o que quer no momento, é importante experimentar trabalhar em outras áreas, pois desta forma poderá ter uma visão mais abrangente e poderá ter mais opções para avaliar em que função gosta de trabalhar e assim seguir com a sua carreira.
MEDO DE EXPOR SUAS IDEIAS AOS SUPERIORES HIERÁRQUICOS
Os profissionais são pessoas distintas e como tal, nascem e crescem em meios diferentes, têm perfis diferentes, gostos, ideias, crenças e culturas completamente diferentes. Ou seja, existe uma grande diversidade de profissionais dentro de um ambiente corporativo.
Pela existência desta diversidade é normal nos depararmos em situações onde existe uma grande divergência de ideias e opiniões sobre determinado assunto. Todo profissional alocado em determinada área, precisa prestar contas sobre as suas actividades laborais ao seu superior hierárquico, mas muitas vezes, o meio, o método ou ainda o procedimento utilizado para a realização destas, pode nem sempre ser o mais eficaz, o que faz com que muitos profissionais realizem estas actividades mesmo não concordando com o seu procedimento, e muitas vezes sem espaço para expor ideias melhores que poderiam até minimizar o tempo para a realização destas tarefas.
A causa da falta de espaço para expor ideias, pode ter várias origens, desde chefes com tipo de liderança autocrática, em que a equipa deve fazer exactamente o que é determinado, seguindo processos tradicionais que são normalmente conhecidos pela rigidez e a autonomia na tomada de decisão, sendo a maior parte das vezes unilateral. Ou ainda pela estrutura organizacional, políticas e procedimentos estabelecidos na empresa que podem limitar a participação dos colaboradores de base na tomada de decisão.
Ainda que se depare em ambientes do género, o profissional pode e deve emitir sua opinião quando achar realmente necessário. Entretanto é preciso fazer com zelo, através de uma comunicação cuidada e em momentos apropriados.
FALTA DE MELHORIA CONTÍNUA E ADOPÇÃO DE NOVOS APRENDIZADOS
Com o avanço das tecnologias de informação, as empresas tendem a adotar mecanismos, plataformas e ou ferramentas para auxiliar na melhoria dos processos e procedimentos existentes e também na tomada de decisão.
Esta tendência enfatiza a necessidade de as empresas realizarem formações de modo contínuo para capacitação dos colaboradores, entretanto o que se tem verificado em algumas empresas é a falta de programas de capacitação. Portanto profissionais que se deparam com esta realidade devem ainda assim, ter a preocupação de encontrar uma forma de melhorarem os processos existentes para realizarem as suas actividades e também se capacitarem com novas habilidades técnicas ou outra do seu interesse, para que possam enriquecer o seu curricullum e serem melhor valorizados no mercado de trabalho.
Outro ponto interessante é que profissionais que têm elevada expertise em determinada plataforma ou solução, esquecem de se capacitarem em outras habilidades (Por exemplo estudar novas plataformas e metodologias de trabalho), pelo facto de se sentirem extremamente confiantes, por serem os únicos na empresa com esse determinado conhecimento. Mas como foi enfatizado anteriormente, o mundo tem avançado de modo muito dinâmico em termos tecnológicos e plataformas que hoje são muito utilizadas, amanhã poderão estar obsoletas, o que pode causar um impacto extremamente negativo a estes profissionais, chegando mesmo a serem dispensados da empresa pelo facto de já não agregarem valor.
FALTA DE AUTO VALORIZAÇÃO PROFISSIONAL
A auto valorização profissional consiste na capacidade de valorizar para a sociedade e principalmente para o mercado de trabalho, todo o seu conhecimento, esforço, dedicação e estudo enquanto profissional de uma determinada área.
Porém o que acarreta a não auto-valorização profissional? Antes de chegarmos neste ponto é preciso perceber primeiro as causas da não auto-valorização.
Falta de autoconhecimento – Para saber o meu real valor é preciso me conhecer, ou seja, saber quem sou (como pessoa e qual o meu perfil profissional), de onde vim (Escolas que frequentei e empresas onde trabalhei) e para onde vou (qual meu propósito e em que ramo ou empresa quero trabalhar).
Auto estima baixa – Manifesta-se de forma não propositada, através de nossa própria experiência com as pessoas e mundo. Pode ser trabalhada com a ajuda de profissionais capacitados (terapias, coaching, etc).
Falta de auto motivação – É crucial que a motivação venha de dentro da pessoa, independente do momento, de outra pessoa ou do lugar em que se encontra.
Conhecendo as causas, a falta de auto valorização, pode ter consequências a médio e longo prazo, não só para um profissional, mas para todos os profissionais que trabalham em determinado segmento.
Imagina que trabalha como Gestor de Projectos, fez cursos, certificações e está apto a trabalhar neste sector. É feita uma proposta para ganhar uma remuneração abaixo da média para Gestores de Projectos iniciantes e aceita esta proposta, por medo de não conseguir outra melhor. Esta acção pode gerar grandes problemas não só para si, enquanto Gestor de Projectos, como também pode gerar resultados extremamente negativos para seus colegas de profissão, acarretando em uma ‘desvalorização em massa’.
Antes de entrar para o mercado de trabalho ou estando já dentro do mercado de trabalho e queira ingressar em outra empresa ou ainda outro sector, tenham em conta os anos de estudo, a dedicação, o esforço, o valor financeiro que teve de desembolsar para obter determinado conhecimento.
Interiorize que você é um profissional competente, que está pronto para aprender ainda mais e para dar o seu valioso contributo a empresa, negoceie a proposta ou faça uma contraproposta se necessário, analise os benefícios e valide se a empresa é de facto o lugar onde deseja trabalhar. Afinal se não valorizarmos o que somos, o que sabemos e o que queremos, que empresa irá valorizar?
Autora
Ana Madureira

Sem comentários:
Enviar um comentário